Tribeca Festival Lisboa – Uma Review

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Depois de uma semana de reflexão sobre a minha vontade de escrever e publicar este artigo, decidi que há mais benefícios do que prejuízos em fazê-lo.
De 30 de outubro a 1 de novembro decorreu a segunda edição do Tribeca Festival Lisboa, na Unicorn Factory Lisboa, no Beato. Um festival promovido como um evento de storytelling, com filmes, conversas, podcasts e todo o tipo de “encontros inesquecíveis entre artistas, visionários e o público.encontros inesquecíveis entre artistas, visionários e o público.”

Os preços variaram entre os 15€ e os 255€. Parece um intervalo muito grande de preços? Pois, é verdade. Isto leva-me à primeira crítica que me foi trazida por duas das pessoas com quem falei no último dia deste festival, que foi a complicação de ter vários bilhetes, e a necessidade de ter que comprar vários bilhetes para assistir a várias coisas diferentes.
Para ter acesso a todos os eventos a decorrer entre 30 e 1, o bilhete “full pass” custava 255€ e ainda dava direito à presença na “opening night” onde decorreria estreia nacional de “In The Hand of Dante” com a presença do realizador Julian Schnabel. 
Mas e se a intenção for ter acesso aos filmes todos? Bem, nesse caso não há nenhum bilhete específico. As opções ficam entre o “Cinema Pack I”, que custa 65€ e dá acesso a 6 sessões de cinema, o “Cinema Pack II”, que custa 35€ e dá acesso a 3 sessões de cinema, ou o “Cinema Session”, que custa 15€ por cada sessão de cinema que se queira assistir. No total, nesta edição do Tribeca, houve 20 sessões de cinema, se fizermos as contas, para ter a liberdade total para escolher dentro dessas 20 sessões, teria que se gastar um total de 265€ nos dois packs e no resto das sessões individuais.
Para os podcasts e conversas exclusivamente, havia 3 bilhetes diários no valor de 45€ cada, ficando num total de 135€ para a possibilidade de assistir a qualquer uma das conversas e podcasts a decorrer no festival.
São preços muito pouco acessíveis e a confusão do número de bilhetes necessários também se torna muito pouco acessível. Falo do meu exemplo, que comprei o “Cinema Pack I” e tive acesso a um código para escolher as minhas 6 sessões na bilheteiraOnline. Um dos meus escolhidos foi “In The Hand of Dante”, que para minha surpresa estava disponível para aquisição, mas, uma vez completada a minha escolha, e após já ter recebido os meus bilhetes, na minha caixa de e-mail recebi um contacto do festival, pois a minha sessão escolhida não estaria disponível, mas que poderia ter acesso à tal estreia exclusiva na “opening night” e com o realizador presente. Muito bem, aceitei, tive direito a um blue carpet, presença das vedetas todas que se possa imaginar que estivessem presentes, e também uns cocktails ou assim (não participei). Quando finalmente chegou a hora do filme, após Julian Schnabel ter reforçado a necessidade de apagar as luzes todas, percebemos que isso não ia acontecer. As luzes laterais à bancada onde a audiência estava, ficaram ligadas o tempo todo, e houve um constante movimento de staff ou de membros da audiência, que depois de descerem os degraus barulhentos e passarem à frente do ecrã, decidiam abandonar a sala. Estas críticas foram feitas pelo próprio Julian Schnabel no painel que fez após o filme (que foi cortado a meio dos créditos). 
E aqui dou um grande aplauso à organização do festival, porque nos dias seguintes todas as luzes estavam apagadas o máximo possível.

Ficando na área do cinema, uma outra crítica que me foi apresentada por frequentadores do festival, foi a distância entre as duas salas destinadas para as screenings, sendo uma no Convento do Beato e outra no Teatro Ibérico, 14 minutos de distância a pé, segundo o Google Maps. Esta distância foi apontada como falha por uns e como não-incómoda por outros, mas tendo em conta a meteorologia habitual de Portugal no fim de outubro/início de novembro, o desconforto tem que ser tido em conta. 

E essa meteorologia habitual não foi tida em conta, nem para quem viaja de uma sala de cinema para a outra, nem para os eventos planeados no espaço Unicorn Factory, nem para os stands de alimentação que haviam sido contratados. Quando no dia 31 foi anunciado o cancelamento do palco DJ/concerto e de todos os stands de alimentação que estavam numa zona ao ar livre por causa da chuva, o festival tornou-se quase uma cidade fantasma quando comparado com a noite de 30, onde havia uma excelente banda a animar um público rodeado de vários stands de alimentação com variedades de dietas e culturais. Será que estes stands foram “prometidos” um número de clientes que não receberam? Será que pagaram para estar no festival e não viram o seu dinheiro refletido em negócio? Uma coisa confirmo, e confirmei com trabalhadores dos estabelecimentos que estão permanentemente na Unicorn Factory, este festival trouxe-lhes muito negócio e em alguns casos até a necessidade de contratação de staff extra para a cobertura do horário do evento, mas os preços nestes estabelecimentos foi algo que várias pessoas me apontaram como fatores negativos, e que algumas até optaram por se dirigirem aos supermercados mais próximos porque o preço ficava mais em conta.

Mas não era só de alimentação que havia stands, também as marcas patrocinadoras do festival tinham presentes as típicas ativações, onde se faz x para ganhar y. Estes stands estavam também localizados em locais desprotegidos da chuva, o que, depois de conversar com algumas pessoas empregadas por estas marcas para estarem nos stands, implicava que elas próprias ou ficavam à chuva ou tinham que mover o stand para uma zona onde não havia tanto movimento. E esse movimento já não era muito grande, uma vez que estas mesmas ativações de marca estavam muito focadas para um público que podia não ter muito interesse nelas, no entanto, o acesso a esta área do festival não estava restrita a quem apenas tinha bilhetes, por isso a expectativa do “overload” de ativações de marcas estava bem elevada, mas, rapidamente caiu por terra, quando só havia (quase literalmente) “meia dúzia de gatos pingados”. Seria de esperar, pelo menos a meu ver, que as marcas apostassem na presença para o público geral, mas pelos vistos não era esse o objetivo.

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Quando falei com quem estava a trabalhar nestes stands de ativações de marcas questionei-os sobre como se sentiam em termos de segurança, uma vez que não havia quaisquer revistas de segurança a quem entrava no espaço do festival. Várias pessoas me disseram que não sabiam que esse era o caso, e que o conhecimento tardio deste facto as deixou preocupada, e algumas até estranharam elas próprias não serem revistadas por segurança do festival, uma vez que costumam trabalhar noutros festivais e em quase todos, se não todos, até os membros de staff de marcas costuma ser revistado. Isto fez-me questionar se esta falta de checks de segurança estava planeada mas foi dada como impossível uma vez que o evento estava aberto ao público mesmo sem bilhete, ou se nunca estava nos planos, dado que nem nos pavilhões, salas de cinema ou auditórios de conversas havia revistas de malas ou mochilas.

E isto leva-me de volta ao preço de entrada no festival. Se os preços fossem mais acessíveis, será que havia menos “confiança” em quem marca presença? Será que a necessidade de apelar a um público mais “diverso”, como foi dito por vários membros na organização, quis passar um sensação de segurança geral?

E só mais uma queixinha que não pude deixar de ouvir vinda de uma vizinhança americana que me rodeava no screening de “Are We Good?”, que tentou ir ver outro filme (assumo eu que tenha sido “All We Cannot See”, mas que teve que sair, porque o filme era em espanhol com legendas em português e não havia aviso prévio disto. Se a vontade de apelar a todo o tipo de públicos é tão grande, então tem que haver clareza na acessibilidade aos mesmos. Eu própria questionei o festival em relação à legendagem uns meses antes do evento, mas não tive resposta.

Pontos positivos: diversidade de géneros de filmes; diversidade de conversas e podcasts, o que levou várias pessoas a irem ao festival só para assistir às conversas e aos podcasts; presenças de nomes nacionais e internacionais atrativos que levaram muito público de propósito para os ver e ouvir.

Fico com curiosidade de assistir às próximas edições.

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