É um pastel de nata! | Pobres Criaturas (spoilers)

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Poor Things (2023) de Yorgos Lanthimos, classificado como Comédia, Drama e Romance, classificações estas que não são polémicas, já a label de “feminista” é um assunto que anda a rondar este filme sem nenhum consenso, mas já lá vou.

Faço aqui um mea culpa de nunca ter visto outro filme de Yorgos Lanthimos, por isso isto poderá ser uma característica “Lanthimónica”, mas no que toca à criação do mundo onde este filme se passa só nos é estranho nos primeiros 2 minutos. O set design, costuming e maquilhagem representam todos perfeitamente a estética do mundo que nos envolve durante quase 2 horas e meia, sem questionarmos a física ou lógica de certos aspetos.

É também através deste mundo “extraordinário” que nos é passada a mensagem de que isto não é real, é um filme, nada disto é possível na nossa realidade (que eu saiba, mas Bolas!) E aqui voltamos à Questão do Feminismo. Emma Stone representa Bella Baxter, uma criança no corpo de uma mulher, e ao longo do filme vemos Bella crescer mentalmente, e a aprender, a descobrir os seus gostos e desgostos, acontece que uma das coisas que Bella descobriu que gosta é sexo. Ups. Um filme realizado por um homem expõe a sexualidade e sexualização de uma mulher. Enquanto concordo que esta nem sempre é a melhor ideia, no meu POV Poor Things não precisa de ser um filme feminista nem de ser o completo oposto.
Depois de ver o filme e ter lido algumas reviews fiquei na dúvida sobre quem é que não estava a perceber o filme, se eu ou se quem o denominou de “não feminista”. A meu ver, depois de 2 horas e quase meia, o filme demonstra o processo de aprendizagem da mulher, não todas mas esta especificamente, que desde cedo foi vista como objeto sexual e à medida que foi crescendo foi percebendo como ganhar poder desse mesmo “objeto”, e if anything, “vilaniza” quem a viu como tal, mas claro sempre através do olhar masculino do realizador. Também é possível que este filme não seja sobre nada para além do que vemos no ecrã and that’s about it (com umas quantas cenas de sexo lá metidas no meio).

Emma Stone é uma estrela, o Oscar que já tem é prova disso, todos os prémios que já recebeu por este papel é prova disso, e o Oscar que vai receber na noite de 10 de Março. Se é quem eu quero que ganhe ou não? Segredinho.

O score deste filme surpreendeu-me imenso pela positiva, tal como Bella, a banda sonora cresce, aprende e adequa-se à sociedade em que vive.

Obviamente que a presença de Lisboa e dos pastéis de nata no filme foram um sucesso. E A CARMINHO!!! É o .5!

Pouco tem de pastel de nata esta minha crítica, mas fica para o potencial clickbait.

4.5/5

O título do é uma referência a este vídeo

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